Chile de Norte a Sul: uma viagem de motorhome pelas rotas do vinho
Dessa vez, decidimos conhecer o Chile de um jeito diferente. A ideia era percorrer o país de norte a sul, passando por algumas de suas principais regiões vinícolas e conhecendo projetos que mostrassem diferentes faces do vinho chileno.
E, para deixar a viagem ainda mais especial, trocamos hotéis por uma casa sobre rodas.
Assim que chegamos ao Chile, retiramos nosso motorhome em Santiago, e começamos oficialmente nossa aventura pelas estradas chilenas.
Escolher viajar de motorhome fez toda a diferença nesse roteiro. Ter a liberdade de seguir pela estrada no nosso próprio ritmo, parar quando quiséssemos e acordar cercados por algumas das paisagens mais bonitas do país acabou fazendo parte da experiência tanto quanto as próprias vinícolas.
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Primeira parada: Clos des Fous
E começamos com um projeto que já pelo nome deixa claro que não estamos falando de uma vinícola convencional.
Clos des Fous — algo como “vinhedo dos loucos” — nasceu da vontade de fazer um vinho chileno diferente, fugindo da produção em grande escala e procurando lugares, solos e climas capazes de imprimir sua identidade nos vinhos. O projeto aposta em diferentes terroirs do Chile, em pequena escala e com mínima intervenção.
E uma das melhores formas de entender essa filosofia é justamente conhecer Pucalán, na região de Puchuncaví, próximo ao litoral do Pacífico.
Ali, na zona de Aconcagua Costa, a influência marítima ajuda a trazer frescor ao clima. O vinhedo de Pucalán está plantado sobre solos antiquíssimos, originados de depósitos de areia marinha que, ao longo de milhões de anos, se transformaram em rocha. É nesse terroir que a Clos des Fous cultiva Pinot Noir, uma das variedades que melhor traduz a personalidade desse lugar.
E foi justamente ali que nossa experiência começou: nos vinhedos de Puchuncaví.
Foi onde conhecemos aquela charmosa casa rústica, com paredes em tons terrosos, pedras e um enorme telhado de palha, completamente integrada à paisagem. Nada de uma sala de degustação formal ou cheia de cerimônias. Sentamos, abrimos os primeiros vinhos e começamos a entender um pouco melhor a filosofia da Clos des Fous.
Entre uma taça e outra, chegaram também deliciosas empanadas chilenas. E foi assim, de maneira simples e descontraída, cercados pelos vinhedos, que começamos nossa primeira experiência vínica dessa viagem.
Mas a visita estava longe de terminar.
Depois dos vinhedos de Puchuncaví, seguimos para Zapallar, no litoral chileno, onde fica a espetacular casa de praia de Paco Leyton, um dos fundadores e enólogo da Clos des Fous.
E quando digo espetacular, não é exagero. A casa tem o mar como protagonista e praticamente todos os cômodos têm vista para a praia. Depois de um dia entre vinhedos e taças de vinho, ainda aproveitamos a piscina enquanto o Pacífico fazia parte do cenário.
Paco foi para a cozinha e preparou mariscos para nós, continuamos abrindo e degustando outros vinhos e, no final da tarde, assistimos a um pôr do sol incrível sobre o mar.
A noite seguiu com churrasco, muitas conversas, mais algumas garrafas abertas e terminou da melhor maneira possível: com música e cantoria comandada pela esposa de Paco.
Foi uma daquelas experiências que explicam perfeitamente por que conhecer um vinho no lugar onde ele nasce — e ao lado de quem o produz — é tão diferente de simplesmente abrir a mesma garrafa em casa.
Mais do que provar os vinhos da Clos des Fous, conhecemos as pessoas, os lugares e um pouco da história que existe por trás de cada garrafa.
E assim, entre vinhedos, empanadas, mariscos, um pôr do sol inesquecível no Pacífico e muitas taças de vinho, começava nossa aventura de motorhome pelas vinícolas do Chile.
E essa era apenas a nossa primeira parada.
Segunda parada: Viña Errázuriz — quando cada detalhe faz parte da experiência
Depois da experiência incrível com a Clos des Fous, seguimos viagem com nosso motorhome rumo ao Vale do Aconcágua, cerca de 100 quilômetros ao norte de Santiago. Nossa próxima parada seria a Viña Errázuriz.
Cercado pela Cordilheira e tendo o imponente Monte Aconcágua como uma de suas grandes referências, o vale combina dias ensolarados com a influência das brisas frias que chegam do Oceano Pacífico, criando condições muito particulares para a produção de vinhos.
E foi justamente aqui que, em 1870, Don Maximiano Errázuriz decidiu fundar sua vinícola.
Na época, enquanto grande parte dos vinhedos chilenos estava concentrada nos arredores de Santiago, Don Maximiano enxergou o potencial das terras mais ao norte e escolheu o Vale do Aconcágua para plantar seus vinhedos.
Mais de 150 anos depois, a Errázuriz continua ligada à família e possui vinhedos que se estendem do interior do vale até áreas próximas ao Pacífico. Essa diversidade de terroirs permite trabalhar diferentes variedades e estilos de vinho.
E foi nesse cenário, onde história e modernidade convivem lado a lado, que começamos nossa visita.
Se na Clos des Fous fomos conquistados pela informalidade e pela proximidade com as pessoas por trás dos vinhos, na Errázuriz encontramos uma experiência completamente diferente — marcada por um cuidado quase milimétrico com cada detalhe.
Desde a chegada, o atendimento foi impecável. E isso ficou claro antes mesmo de entrarmos na vinícola.
Na nossa chegada, a bandeira do Brasil estava hasteada para nos receber. Um gesto simples, mas que imediatamente nos fez perceber que aquela não seria apenas mais uma visita.
A partir dali, os detalhes foram se sucedendo: materiais informativos preparados especialmente para nós, com nossos nomes, uma recepção extremamente cuidadosa e uma visita completa pela vinícola já davam uma ideia do que viria pela frente.
Percorremos seus espaços conhecendo um pouco da história, da produção e da importância da Errázuriz para o vinho chileno até chegarmos a um dos momentos mais esperados: a degustação na belíssima Sala de Vidros.
E não era qualquer degustação.
Na taça, alguns dos grandes vinhos da casa: KAI, La Cumbre, Villa Don Maximiano e Don Maximiano 2022, sempre acompanhados de pequenos petiscos pensados para completar a experiência.
O último deles carrega no próprio nome parte da história que acabávamos de conhecer: Don Maximiano Founder’s Reserve é o vinho emblemático da Errázuriz e uma homenagem ao homem que fundou a vinícola naquele mesmo vale em 1870.
Mas a Errázuriz ainda tinha muito mais preparado para nós.
De lá, seguimos para o Mirador. E, mais uma vez, chegamos e tudo estava pronto nos mínimos detalhes.
No alto, com uma vista maravilhosa do entorno, fomos recebidos com uma taça de Chardonnay e uma deliciosa tábua de frios, frutas e oleaginosas. Um daqueles momentos em que dá vontade de esquecer o relógio e simplesmente ficar ali.
E então chegou a hora do almoço.
Talvez tenha sido nesse momento que percebemos definitivamente o nível de cuidado que existe por trás da experiência da Errázuriz.
Assim que entramos na sala, no timing perfeito da nossa chegada, surgiu uma garçonete com uma garrafa de espumante nas mãos, pronta para nos oferecer uma taça.
Parecia coreografado.
Nada acontecia por acaso. O momento de servir, a apresentação, a sequência dos vinhos, a comida, a mesa. Tudo parecia ter sido pensado e executado nos mínimos detalhes.
O almoço foi impecável e, claro, harmonizado com os vinhos da casa. Sobre a mesa, mais uma surpresa: um menu personalizado com nossos nomes, preparado especialmente para aquele momento.
Pode parecer apenas um detalhe. Mas são justamente esses detalhes que transformam uma boa visita em uma experiência memorável.
A Errázuriz tem grandes vinhos, uma vinícola belíssima e mais de 150 anos de história para contar. Mas o que ficou marcado para nós foi também a maneira como tudo é apresentado.
Do papel com nossos nomes na chegada à taça de espumante servida no momento exato em que entramos para o almoço, havia uma atenção quase obsessiva à experiência do visitante.
E isso faz toda a diferença.
Saímos de lá impressionados não apenas com o que estava dentro das taças, mas com todo o cuidado colocado ao redor delas.
E ainda não tínhamos terminado nosso dia no Vale do Aconcágua.
Nossa próxima parada seria um dos projetos mais emblemáticos do vinho chileno: Seña.
Seña — um ícone chileno no Vale do Aconcágua
Depois de uma experiência impecável na Errázuriz, seguimos para nossa próxima parada ainda no Vale do Aconcágua: Seña.
E antes de contar como foi nossa visita, vale entender por que esse nome ocupa um lugar tão importante na história recente do vinho chileno.
O Seña nasceu em 1995, de uma parceria entre o chileno Eduardo Chadwick e o americano Robert Mondavi, dois nomes que compartilhavam um sonho bastante ambicioso: produzir no Chile um vinho capaz de estar entre os grandes vinhos do mundo.
Inspirado nos grandes blends de Bordeaux, mas com uma identidade essencialmente chilena — marcada inclusive pela presença da Carménère — o Seña se tornou um marco na busca pelo reconhecimento internacional dos vinhos premium do país.
E essa história ganhou um capítulo decisivo alguns anos depois.
Em 2004, Eduardo Chadwick organizou em Berlim uma degustação às cegas que entraria para a história do vinho chileno. Grandes especialistas internacionais provaram, sem saber quais rótulos estavam em suas taças, alguns dos melhores vinhos do Chile lado a lado com ícones de Bordeaux e da Toscana.
O resultado surpreendeu o mundo do vinho: Viñedo Chadwick 2000 ficou em primeiro lugar e Seña 2001 em segundo, à frente de alguns dos rótulos mais consagrados e caros do mundo.
O evento ficou conhecido como Berlin Tasting e se tornou um marco para o vinho chileno. Mais do que provar que aqueles vinhos poderiam competir em uma degustação com grandes nomes internacionais, ajudou a mudar a percepção sobre o potencial do Chile para produzir vinhos de altíssima qualidade.
Era, de certa forma, a confirmação daquele sonho que Eduardo Chadwick e Robert Mondavi haviam iniciado anos antes.
E conhecer o Seña depois de saber dessa história torna a experiência ainda mais interessante.
Seu vinhedo fica em Ocoa, no Vale do Aconcágua, a cerca de 40 quilômetros do Oceano Pacífico. São 42 hectares em encostas, com solos pedregosos de diferentes origens e um clima mediterrâneo influenciado pelo efeito refrescante da Corrente de Humboldt.
E há outro aspecto fundamental na filosofia do projeto: o vinhedo é conduzido segundo princípios da agricultura biodinâmica.
Foi justamente essa relação com a natureza uma das primeiras coisas que chamou nossa atenção por lá.
Quem nos recebeu foi Alejandra, filha de Eduardo Chadwick. E nosso primeiro encontro com ela não poderia ter tido um cenário mais apropriado.
Estávamos saindo do carro e começando a conversar quando, de repente, passou diante de nós um rebanho de ovelhas sendo conduzido por um trator.
Paramos para assistir à cena. Além de inesperada e muito divertida, ela parecia uma introdução perfeita ao que conheceríamos logo depois sobre a maneira como o vinhedo é manejado.
Durante a visita, percorremos a propriedade e conhecemos melhor o projeto biodinâmico do Seña, entendendo como essa filosofia procura enxergar o vinhedo como um ecossistema integrado e reduzir ao máximo a dependência de intervenções externas.
Depois seguimos para o Mirador.
E ali encontramos novamente o mesmo cuidado com os detalhes que já havia nos impressionado tanto na Errázuriz.
Fomos recebidos com uma taça de espumante e uma vista espetacular do Vale do Aconcágua. Era o início de mais uma experiência preparada nos mínimos detalhes.
Em seguida, fomos para o jantar.
Mais uma vez, tudo estava personalizado: mesa impecavelmente preparada, cardápios com nossos nomes e um menu especialmente pensado para acompanhar os vinhos.
Mas dessa vez havia algo ainda mais especial nas taças.
Nosso jantar seria acompanhado por uma degustação vertical de Seña, com as safras 2017, 2021 e 2022.
Mas o que é uma degustação vertical?
Uma degustação vertical é quando provamos o mesmo vinho, do mesmo produtor, porém de diferentes safras.
É uma experiência muito interessante porque permite perceber como as condições climáticas de cada ano, as decisões tomadas na vinificação e, principalmente, a evolução do vinho ao longo do tempo podem resultar em expressões diferentes de um mesmo terroir.
Em vez de comparar rótulos diferentes, comparamos diferentes momentos da história daquele mesmo vinho.
E foi exatamente isso que fizemos com Seña.
À nossa frente, três safras — 2017, 2021 e 2022 — acompanhando um jantar harmonizado e tendo como cenário o Vale do Aconcágua.
Depois de um dia inteiro de experiências, primeiro na Errázuriz e depois no Seña, era hora de voltar para nossa casa sobre rodas.
Entramos novamente no motorhome e seguimos em direção a Santiago, continuando nossa viagem rumo ao sul.
Naquela noite, estacionamos no Parque Centenario, onde dormimos dentro do motorhome antes de seguir viagem no dia seguinte.
E talvez esse seja justamente um dos grandes prazeres de viajar dessa maneira: em poucas horas, passamos de um jantar impecavelmente harmonizado diante dos vinhedos do Seña para a estrada novamente, levando nossa casa conosco e sem saber exatamente qual seria a paisagem da manhã seguinte.
Nossa viagem pelo vinho chileno estava apenas começando.
Baron Philippe de Rothschild — por um dia, nós fomos os enólogos
Depois de Aconcágua, seguimos nossa viagem rumo a Buin, no Vale do Maipo, para uma experiência completamente diferente: conhecer de perto o projeto chileno da Baron Philippe de Rothschild.
E aqui o sobrenome dispensa grandes apresentações.
A família Rothschild faz parte da história do vinho de Bordeaux há gerações, mas foi Baron Philippe de Rothschild, à frente do lendário Château Mouton Rothschild, quem transformou profundamente os negócios da família e ajudou a construir uma das marcas mais reconhecidas do mundo do vinho.
Décadas depois, o olhar da família atravessaria o Atlântico e chegaria ao Chile.
A Baron Philippe de Rothschild estabeleceu seu projeto chileno no Vale do Maipo, região histórica na produção de grandes Cabernet Sauvignon e localizada aos pés dos Andes. A proposta era unir o conhecimento acumulado em Bordeaux às características próprias do terroir chileno, criando vinhos que mantivessem a identidade do país.
Entre eles está o Baronesa P., vinho ícone da casa e protagonista de uma das experiências mais divertidas que tivemos durante toda a viagem.
Mas antes de chegarmos a ele, começamos pelo começo.
Na nossa chegada, fomos recebidos pelo nosso amigo Remis, que na época era embaixador da marca no Brasil, e pelo enólogo da vinícola, Gonzalo Castro.
Assistimos a uma pequena apresentação em vídeo para conhecer um pouco da história da família e do projeto no Chile e, em seguida, percorremos as instalações da vinícola, conhecendo de perto a produção.
Até que veio a surpresa.
No meio da área onde ficam os enormes tanques de inox, havia uma mesa inteira preparada para nós.
Sobre ela, taças, garrafas, provetas e pipetas.
Por alguns instantes, deixaríamos de ser apenas visitantes. Seríamos os enólogos.
O desafio: criar nosso próprio Baronesa P.
A brincadeira era a seguinte: cada um deveria criar seu próprio blend e, teoricamente, o vencedor seria enviado para a família Rothschild, na França, para se tornar o blend do Baronesa P daquele ano.
Aham. 😂
Mas entramos completamente no personagem.
Antes de começar, o enólogo nos explicou que o Cabernet Sauvignon seria a espinha dorsal do vinho e apresentou as outras variedades que teríamos à disposição para construir nosso corte: Carménère, Cabernet Franc, Petit Verdot e Syrah.
Mais interessante do que simplesmente misturar os vinhos foi entender o que cada variedade poderia acrescentar ao resultado final.
Uma poderia trazer mais estrutura; outra, aromas e elegância; outra, cor, especiarias ou frescor. E então começamos a perceber que criar um blend não significa simplesmente misturar bons vinhos. É buscar equilíbrio.
Com pipetas e provetas nas mãos, começamos a testar proporções.
Um pouco mais disso. Menos daquilo. Prova. Ajusta. Prova novamente.
E, claro, rapidamente aquilo virou uma competição.
No final, colocamos nossos blends diante do enólogo para o julgamento.
Ele provou todos.
Pensou.
Provou novamente.
E não revelou seu favorito! 😂
Disse apenas que enviaria nossas propostas para a família, na França, que escolheria qual seria o blend do Baronesa P daquele ano.
Estamos aguardando a ligação até hoje.
Das pipetas para a mesa
Depois dessa deliciosa brincadeira, deixamos a vinícola e seguimos todos juntos para Santiago. Remis e a equipe nos levaram para almoçar no La Calma, restaurante especializado em produtos do mar.
Mariscos, frutos do mar, alguns bons vinhos na mesa e, principalmente, aquela conversa que vai ficando cada vez melhor à medida que as taças vão sendo servidas.
Mas nosso dia ainda estava longe de terminar.
Depois do almoço, trocamos as taças — temporariamente — pelas rédeas e seguimos para um passeio a cavalo pelas montanhas próximas à Cordilheira dos Andes.
Subimos a cavalo até o alto de um dos morros e encontramos uma vista espetacular. E não, obviamente não tínhamos chegado “ao topo da Cordilheira” — embora naquele momento a sensação quase fosse essa.
Lá em cima nos esperava mais uma surpresa: um assado preparado em meio às montanhas.
E assim terminamos o dia: rodeados por uma paisagem incrível, assado, muito vinho e amigos.
Começamos a manhã tentando criar um vinho digno da família Rothschild e terminamos no alto de uma montanha, brindando diante dos Andes.
Definitivamente, não foi um dia comum de visita a uma vinícola.
Cono Sur — bicicletas, Pinot Noir e uma noite inesquecível em Chimbarongo
Continuamos nossa viagem rumo ao sul até chegarmos a Chimbarongo, no Vale de Colchagua, onde fica o Fundo Santa Elisa, casa da Viña Cono Sur.
E antes de contar nossa experiência, vale conhecer um pouco da história desse lugar, porque ela ajuda a entender praticamente tudo o que viveríamos naquele dia.
A Cono Sur nasceu em 1993, justamente em Santa Elisa, com uma proposta baseada em três pilares que continuam muito presentes na filosofia da vinícola: qualidade, inovação e sustentabilidade.
Seu nome é uma referência ao Cone Sul da América e até o desenho de seu logotipo remete ao contorno do continente sul-americano.
Mas existe uma uva que ocupa um lugar muito especial nessa história: Pinot Noir.
Em Santa Elisa estão algumas das primeiras videiras de Pinot Noir plantadas no Chile, datadas de 1968. A relação da Cono Sur com a variedade se tornou tão importante que, em 1999, a vinícola criou o chamado Projeto Pinot Noir, com um objetivo bastante ambicioso: mostrar que o Chile também poderia produzir Pinot Noir de altíssimo nível.
Para isso, contou inclusive com a consultoria de Martin Prieur, enólogo da Borgonha, região francesa que é a grande referência mundial para essa variedade. O projeto envolveu a busca pelos melhores terroirs chilenos para o Pinot Noir e até a construção de uma adega especialmente pensada para sua vinificação.
Dessa busca nasceu aquele que se tornaria o grande ícone da Cono Sur: Ocio, considerado o primeiro Pinot Noir ultra-premium do Chile.
E, sem sabermos ainda, o Pinot Noir seria também o grande protagonista da nossa experiência por lá.
Uma recepção que já dizia muito sobre o dia
Quem nos recebeu foi o enólogo Matías Ríos.
E existem pessoas que você conhece e, cinco minutos depois, parece que já poderia passar o dia inteiro sentado conversando com elas. Matías é exatamente assim.
Divertido, engraçado, extremamente agradável e, ao mesmo tempo, com um conhecimento enorme sobre vinho. Daquelas pessoas que conseguem falar de assuntos técnicos sem transformar a conversa em uma aula.
Começamos ao redor de uma mesa preparada com café e alguns petiscos, simplesmente conversando e nos conhecendo.
Depois, Matías nos levou para percorrer a vinícola.
Passamos pela área dos tanques, pelas barricas e seguimos conhecendo a estrutura até chegarmos justamente ao espaço onde é produzido o Ocio.
E lá no fundo nos esperava uma mesa com algumas taças.
Era hora da primeira degustação.
De bicicleta pelos vinhedos
Depois das taças, trocamos novamente o vinho — por alguns minutos — pelas bicicletas.
E aqui há outra história interessante.
A bicicleta virou um dos grandes símbolos da Cono Sur, representando não apenas a preocupação da vinícola com sustentabilidade, mas também uma tradição de seus trabalhadores, que há anos circulam de bicicleta pelos vinhedos.
Então nada mais apropriado do que subir em uma delas e sair pedalando por Santa Elisa.
Fomos conhecer os vinhedos e a região até que, no meio das parreiras, apareceu mais uma surpresa.
Uma mesa montada especialmente para nós com quatro vinhos: dois brancos, um rosé e um tinto.
Todos monovarietais.
A ideia era provar diferentes variedades e entender, através das próprias taças, os estilos e expressões que Matías e sua equipe buscam nos vinhos da Cono Sur.
Vinho no meio do vinhedo, bicicleta encostada ao lado e nenhuma pressa para ir embora.
Difícil melhorar.
Mas melhorou.
Almoço no jardim
Ao final do passeio, voltamos e encontramos nosso almoço montado no meio do jardim.
Um assado com carnes e legumes preparados na brasa, harmonizado com os vinhos da casa, em um ambiente extremamente acolhedor.
E, como aparentemente os animais haviam decidido fazer participações especiais nessa viagem — depois das ovelhas no Seña — dessa vez foi a vez de um enorme grupo de gansos atravessar tranquilamente o jardim durante nosso almoço.
Mais uma daquelas cenas que ninguém planeja e que acabam ficando na memória.
Depois do almoço tivemos uma pequena pausa.
Porque a programação ainda estava longe de terminar.
O desafio do Pinot Noir
Voltamos para mais uma brincadeira de enólogo.
Só que dessa vez era competição de verdade.
Matías nos apresentou diferentes amostras de Pinot Noir provenientes de regiões onde a Cono Sur possui vinhedos.
O desafio era criar nosso próprio blend.
E isso é especialmente interessante no caso do Ocio: embora seja um vinho 100% Pinot Noir, isso não significa necessariamente que todas as uvas precisem vir do mesmo lugar. Diferentes terroirs e parcelas podem entregar características distintas e o trabalho de assemblage permite buscar equilíbrio, complexidade e identidade mantendo uma única variedade.
Provamos as amostras separadamente, tentamos entender o que cada origem poderia acrescentar e começamos nossos experimentos.
Prova daqui.
Mistura dali.
Ajusta um pouquinho.
Prova novamente.
Até chegarmos aos nossos dois vinhos.
Matías seria o juiz e escolheria qual dos dois blends era o melhor.
E dessa vez tivemos um resultado oficial.
Eu ganhei.
Não que isso seja importante para a história, obviamente. 😂
Mas está registrado.
Nossa casa sobre rodas ganhou uma noite de folga
Depois da competição, estacionamos definitivamente o motorhome.
Naquela noite não precisaríamos dormir nele.
A Cono Sur possui quartos na propriedade e fomos levados para nossas acomodações, onde tivemos um tempinho para descansar, tomar banho e nos preparar para o jantar.
E então começou o segundo round da competição do casal.
Antes de servir o jantar, Matías colocou dois vinhos às cegas diante de nós.
Sem ver rótulo, garrafa ou qualquer pista, teríamos que tentar descobrir o que havia nas taças.
Dessa vez, preciso reconhecer: Joca levou a melhor.
Eu acertei um.
Ele acertou os dois.
Placar do dia: Joana 1 x 1 Joca.
Uma noite para entender o Ocio
Depois da brincadeira, chegou a hora do jantar.
E o grande protagonista da noite voltou a ser justamente o vinho que havia acompanhado toda a história da nossa visita.
Ocio.
O jantar foi harmonizado com uma degustação vertical de Ocio, colocando lado a lado as safras 2021, 2018 e 2016, além de uma edição especial comemorativa dos 30 anos da Cono Sur.
Como já contamos quando fizemos nossa vertical de Seña, esse tipo de degustação permite provar diferentes safras de um mesmo vinho e perceber sua evolução, as diferenças entre os anos e como o tempo transforma aquilo que encontramos dentro da taça.
E depois de passar o dia conhecendo a relação da Cono Sur com o Pinot Noir, visitar a área onde o Ocio é produzido, provar diferentes Pinot Noir e até criar nosso próprio blend, terminar a experiência colocando diferentes safras do vinho lado a lado fazia todo sentido.
Mas talvez o melhor ainda estivesse por vir.
O jantar acabou. As garrafas, não.
O clima estava tão gostoso e nossa conexão com Matías e toda a equipe tinha sido tão bacana que simplesmente continuamos ali.
Mais uma taça. Mais uma história. Mais uma risada.
E quando percebemos, já estávamos resenhando com todo mundo até altas horas da madrugada.
Talvez seja justamente isso que transforme algumas visitas em experiências realmente especiais.
Você pode lembrar dos vinhos, da comida, da bicicleta, do lugar ou de uma safra específica.
Mas, muitas vezes, o que fica mesmo são as pessoas com quem você dividiu aquelas taças.
E a Cono Sur foi exatamente isso.
Com certeza, uma das visitas mais especiais dessa nossa viagem pelo Chile.
Miguel Torres Chile — tradição espanhola, inovação chilena e a última vinícola da nossa viagem
Depois de tantos quilômetros, vinhedos, taças e histórias, chegávamos à última vinícola da nossa viagem de motorhome pelo Chile.
Seguimos para Curicó, cerca de 200 quilômetros ao sul de Santiago, para conhecer a Miguel Torres Chile.
E aqui nossa viagem encontrava uma história que começou muito antes e do outro lado do Atlântico.
A Familia Torres foi fundada em 1870, no Penedès, na Catalunha, e atravessou cinco gerações mantendo o vinho no centro de sua história. Mas foi com Miguel A. Torres, integrante da quarta geração, que a família iniciou sua expansão internacional.
Em 1979, ele escolheu justamente o Vale de Curicó para estabelecer o primeiro projeto vitivinícola da família fora da Espanha. A Miguel Torres Chile tornou-se a primeira vinícola estrangeira a se instalar no país e trouxe consigo novas tecnologias e uma visão de produção que ajudariam a modernizar a vitivinicultura chilena — entre elas, o uso pioneiro de tanques de aço inoxidável.
Mais de quatro décadas depois, o projeto cresceu muito além de Curicó. Hoje, a Miguel Torres Chile trabalha com vinhedos em diferentes regiões do país, como Maule, Limarí, Maipo, Itata e Biobío, mantendo uma forte preocupação com origem, sustentabilidade e, mais recentemente, viticultura regenerativa.
E foi em Curicó que começamos a conhecer essa história de perto.
Primeiro, o que existe embaixo dos nossos pés
Fomos recebidos pelo enólogo da vinícola e, antes de conhecer tanques, barricas ou garrafas, fomos para onde tudo realmente começa: o vinhedo.
Caminhamos entre as videiras até chegarmos a uma calicata, uma espécie de grande corte aberto no terreno que permite enxergar as diferentes camadas do solo.
Ali, literalmente olhando para dentro da terra, ele nos explicou as características daquele solo, sua composição e como tudo aquilo influencia o desenvolvimento das raízes e, consequentemente, as uvas que chegam à vinícola.
É uma daquelas experiências que fazem a palavra terroir, tantas vezes repetida no mundo do vinho, deixar de ser algo abstrato. Você consegue ver o terroir diante dos seus olhos.
Dos vinhedos para a produção
Depois seguimos para conhecer a área de produção.
Uma coisa que nos chamou atenção foi que parte dos tanques fica em uma estrutura coberta, mas aberta lateralmente, sem estar completamente fechada como acontece em muitas vinícolas.
Seguimos então para o armazém, onde convivem diferentes recipientes de vinificação e amadurecimento: barricas, grandes fudres de madeira e tanques de concreto.
E não ficamos apenas olhando.
Provamos alguns vinhos diretamente dos tanques e dos fudres, uma oportunidade muito interessante de experimentar o vinho ainda durante seu processo de elaboração e perceber como ele vai se transformando antes de chegar à garrafa.
Depois fomos para a sala de degustação.
E aí a coisa ficou séria.
Oito vinhos.
Começamos pelos espumantes e percorremos diferentes estilos e variedades até chegar aos tintos mais importantes da casa.
Depois de tantos dias viajando pelas regiões vinícolas chilenas, era interessante perceber, lado a lado, quantas expressões diferentes um mesmo produtor consegue encontrar em um país tão comprido e diverso como o Chile.
Hora de sentar à mesa
Depois de oito vinhos, evidentemente precisávamos almoçar. 😂
Seguimos para o restaurante da vinícola, onde nos esperava um menu em etapas harmonizado com os vinhos da Miguel Torres Chile.
Prato após prato, taça após taça, tivemos mais uma daquelas refeições em que vinho e gastronomia fazem parte da mesma experiência.
A proposta gastronômica da própria Torres em Curicó procura valorizar justamente a diversidade dos produtos chilenos e ingredientes locais.
Tudo delicioso.
Mas nosso dia ainda não tinha acabado.
Por uma noite, hóspedes da família Torres
Depois do almoço, veio mais uma surpresa.
Nos levaram até a antiga casa do proprietário da vinícola, hoje utilizada para receber amigos e convidados da família.
E seria ali que passaríamos nossa última noite.
Uma casa deliciosa, cercada de verde, com piscina, ofurô e aquela sensação maravilhosa de finalmente não precisar dirigir mais para lugar nenhum.
Depois de vários dias vivendo em um motorhome, obviamente não desperdiçaríamos a oportunidade.
Motorhome estacionado.
Malas largadas.
E fomos direto aproveitar a piscina e o ofurô.
Porque ninguém é de ferro. 😂
A experiência continuava…
Depois de aproveitar a piscina, o ofurô e descansar um pouco, nos arrumamos novamente para sair.
Naquela noite, fomos jantar no Lanzas & Fuego, encerrando um dia que já tinha começado entre vinhedos, passado por calicatas, tanques, fudres, oito vinhos, um almoço harmonizado e terminado em uma deliciosa casa no meio da propriedade.
Depois do jantar, voltamos para a casa e fomos dormir.
Na manhã seguinte, mais um daqueles detalhes que fazem toda a diferença: acordamos com um delicioso café da manhã já preparado e colocado à mesa.
E se achávamos que nossa experiência com a Miguel Torres terminaria ali, estávamos enganados.
Ainda havia um último convite.
De Curicó a Santiago para o último almoço
Deixamos Curicó e seguimos novamente para Santiago, onde a equipe da Miguel Torres havia nos convidado para um último almoço, dessa vez em seu restaurante La Bodeguita, em Vitacura.
E foi uma maneira perfeita de encerrar nossa passagem pela vinícola.
Nos encontramos novamente com a equipe, agora também acompanhados pelo enólogo-chefe, e sentamos à mesa sem pressa.
Comida deliciosa, mais algumas taças dos vinhos da casa e, principalmente, uma longa e agradável conversa.
Depois de conhecer os vinhedos, colocar literalmente os olhos dentro do solo através da calicata, provar vinhos diretamente dos tanques e fudres, degustar oito rótulos, almoçar na vinícola e passar a noite na antiga casa da família, terminar a experiência todos juntos ao redor de uma mesa em Santiago parecia fechar perfeitamente o ciclo.
Porque, mais uma vez, percebíamos algo que se repetiu durante toda essa viagem:
as melhores experiências no mundo do vinho quase nunca terminam na última taça da degustação.
Elas continuam à mesa, nas conversas, nas histórias e nas pessoas que conhecemos pelo caminho.
E foi assim, com mais um almoço, mais algumas taças e novos amigos, que nos despedimos da Miguel Torres Chile.
A última noite: finalmente, um camping de motorhome
Depois de tantos dias na estrada, percebemos que faltava uma coisa nessa nossa aventura: viver uma verdadeira noite de camping com o motorhome.
E resolvemos deixar justamente para a última.
Escolhemos um camping próximo ao aeroporto de Santiago, estacionamos nossa casa sobre rodas e, dessa vez, não havia vinícola, enólogo, menu harmonizado ou restaurante nos esperando.
Nós é que faríamos o jantar.
O camping tinha uma estrutura muito bacana para quem viaja de motorhome. Cada veículo tinha seu espaço, com ponto de eletricidade e água para abastecimento, além de banheiros com chuveiros e uma cantina.
Era exatamente o tipo de estrutura que queríamos experimentar antes de terminar a viagem.
Motorhome estacionado, chegou a hora de abrir nossa pequena cozinha.
E o chef da noite seria Joca.
No cardápio: risoto de aspargos com camarão.
Depois de tantos almoços e jantares incríveis, menus harmonizados e experiências preparadas especialmente para nós, havia algo muito gostoso naquela simplicidade.
Cozinhamos dentro do motorhome, abrimos um vinho e jantamos ali mesmo, na nossa pequena casa que havia nos acompanhado pelas estradas do Chile.
Sem cerimônia.
Sem horário.
Só nós dois, nosso risoto, uma garrafa de vinho e todas as histórias acumuladas durante aqueles dias.
E foi assim que passamos nossa última noite no Chile.
Na manhã seguinte, arrumamos tudo pela última vez e seguimos em direção ao aeroporto de Santiago.
Era hora de devolver o motorhome e embarcar de volta para o Brasil.
E enquanto seguíamos para o aeroporto, era impossível não começar a fazer mentalmente um resumo de tudo que havíamos vivido nos últimos dias.
Começamos essa viagem dentro de um motorhome, com a proposta de atravessar parte do Chile conhecendo algumas de suas regiões vinícolas.
Dormimos em lugares diferentes, pedalamos entre vinhedos, cavalgamos pelas montanhas, vimos ovelhas e gansos atravessarem nosso caminho, fizemos nossos próprios blends, provamos vinhos diretamente de tanques e barricas, participamos de degustações às cegas e verticais de alguns dos grandes vinhos chilenos.
Mas, principalmente, sentamos à mesa com as pessoas que fazem esses vinhos.
E talvez tenha sido essa a melhor parte da viagem.
Porque depois de tantos quilômetros ficou ainda mais claro para nós que conhecer uma região vinícola não é apenas provar seus vinhos.
É conhecer seus solos, suas paisagens, sua comida, suas histórias e, sobretudo, as pessoas que existem por trás de cada garrafa.
Mas essa viagem ainda guardava uma última surpresa.
Justamente no nosso último dia no Chile, nossa neta nasceu.
De repente, depois de tantos dias sem nenhuma pressa para a viagem acabar, tínhamos o melhor motivo do mundo para querer voltar para casa.
Entregamos o motorhome, pegamos nossas malas — e algumas garrafas, obviamente — e embarcamos de volta para o Brasil.
Dessa vez, não havia nenhuma vinícola nos esperando na próxima parada.
Havia nossa neta.
E não poderia existir final melhor para essa viagem.
Quer fazer uma viagem de motorhome pelo Chile?
Se depois de acompanhar nossa aventura deu vontade de colocar a casa sobre rodas e sair pelas estradas chilenas, aqui vão algumas dicas que podem ajudar a organizar a viagem.
Onde alugamos nosso motorhome
Nós alugamos o nosso na Nómade Motorhomes e tivemos uma ótima experiência.
A empresa possui diferentes modelos de motorhome, para diferentes números de passageiros, e disponibiliza também sugestões de rotas pelo Chile com informações sobre distâncias, estradas, lugares para conhecer e pontos de apoio ao longo do caminho.
Na hora de escolher o veículo, vale pensar não apenas no número de pessoas, mas também no conforto que vocês querem ter durante a viagem. Afinal, por alguns dias ele será seu carro, sua cozinha, seu banheiro e sua casa.
Além da Nómade, vale pesquisar e comparar outras empresas que alugam motorhomes e campervans no Chile, como Holiday Rent RV e Otto Campers.
Para quem pretende fazer um roteiro mais longo pelo país, uma informação interessante é que a Holiday Rent RV trabalha com a possibilidade de one-way: dependendo da rota e disponibilidade, é possível retirar o veículo em uma cidade e devolvê-lo em outra, mediante uma taxa adicional. Isso pode facilitar bastante uma viagem que atravesse grandes distâncias do Chile.
Antes de reservar, compare o que está incluído na diária, seguro, quilometragem permitida, equipamentos de cozinha e cama, aquecimento e, principalmente, a autonomia de água e energia do veículo.
Onde dormir com o motorhome no Chile?
Essa liberdade foi uma das coisas de que mais gostamos na viagem.
Em algumas noites dormimos no próprio motorhome, em outras fomos hóspedes das vinícolas e, para nossa última noite, fizemos questão de ter uma verdadeira experiência de camping.
Escolhemos o PatagonFox Camping Express, em Pudahuel, bem próximo ao aeroporto de Santiago. Foi perfeito para o que precisávamos.
O camping tem uma estrutura muito bacana para quem está viajando de motorhome, com espaço individual para estacionar, ponto de eletricidade, água para abastecer o veículo, banheiros com chuveiros e cantina.
E foi ali que resolvemos fechar nossa aventura do jeito mais simples possível.
Estacionamos nossa casa sobre rodas, abrimos um vinho e Joca assumiu a pequena cozinha do motorhome para preparar nosso último jantar: risoto de aspargos com camarão.
Depois de tantos menus harmonizados, restaurantes, almoços em vinícolas e experiências incríveis, terminamos a viagem cozinhando e jantando dentro do nosso motorhome.
E adoramos.
Para encontrar outros lugares para pernoitar ao longo do Chile, uma ferramenta muito útil é o Camper Spot, que reúne campings e pontos de apoio para motorhomes em diferentes regiões do país.
Outra alternativa é a RutaCamp, uma rede voltada para motorhomes, campers e casas rodantes, com pontos em diferentes destinos e estrutura que pode incluir água, eletricidade e locais apropriados para descarte.
Uma dica importante: antes de seguir para qualquer camping, entre em contato para confirmar se ele está funcionando, se é necessário reservar e qual estrutura está disponível. Nem todos oferecem água potável, eletricidade, descarte de águas cinzas e negras, banheiros e chuveiros.
Viajar de motorhome nos deu uma liberdade que dificilmente teríamos em uma viagem convencional. Podíamos mudar os planos, seguir pela estrada sem tanta pressa e, principalmente, fazer do caminho parte da experiência.
E, para um país comprido, diverso e cheio de paisagens como o Chile, viajar com a casa nas costas foi uma experiência e tanto. 🚐🍷🇨🇱
